A presidente do Conselho de Proteção e Defesa da Mulher de São Caetano, Verônica Paiva, realizou na segunda-feira (15) uma roda de conversa virtual com a médica psiquiatra e coordenadora da Saúde Mental do município, Flávia Ismael, e com a advogada e coordenadora do Plajam (Plantão Jurídico de Assistência à Mulher) da 40ª Subseção da OAB/SCS, Rosirene Rocha Stacciarini. O grupo debateu a campanha lançada recentemente na cidade: “São Caetano diz não à violência contra a mulher”.

Lançada no início de fevereiro, a campanha espalhou pela cidade e redes sociais imagens que destacam o combate ao estupro, à violência sexual, ao abuso sexual infantil, prostituição infantil, feminicídio e quaisquer agressões contra a mulher, incluindo as psicológicas, como humilhação e desvalorização moral.

Flávia falou sobre o serviço de atendimento e acolhimento às mulheres vítimas de violência, inaugurado em novembro no Ambulatório de Saúde Mental para Mulheres em Vulnerabilidade, que funciona no Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher). “Em São Caetano nós já fazíamos em nossos ambulatórios atendimento de mulheres em sofrimento psíquico e de crianças vítimas de violência. Porém, sempre achamos que faltava um espaço para as mulheres que sofriam por conta de situações de abuso e violência. A Dra Regina Maura Zetone, secretária de Saúde, começou a idealizar esse serviço e montamos um ambulatório de Saúde Mental dentro do Caism”, explica.

O serviço direcionado às mulheres conta com psiquiatra, psicóloga e assistente social que fazem atendimento específico. “Iniciamos os atendimentos em novembro de 2020, um momento providencial, em que os casos de violência doméstica estavam aumentando devido ao isolamento social e ao momento de crise econômica que o País atravessava”, destaca a médica.

“Nos últimos meses tivemos 17% de aumento nos casos de violência doméstica. A campanha chegou em bom momento e acredito que deve ser permanente. As pessoas precisam entender que têm apoio e podem contar com muitos serviços”, afirma Verônica.

A cidade está unindo forças de diversos setores para combater a violência contra a mulher. “Alguns serviços fazem busca ativa dessas mulheres e outros, como o novo ambulatório que funciona no Caism, têm portas abertas, não requerem encaminhamento. Nosso serviço vem complementar essa rede formada pelo Creas, CRAS, Conselho de Defesa da Mulher e o Plajam para fortalecer a mulher do ponto de vista psíquico. Por ser um problema tão complexo e tão difícil de ser resolvido, quanto maior for a rede, com mais pessoas e serviços envolvidos, maior a chance de podermos ajudar essas mulheres”, declara Flávia.

Com o trabalho iniciado na cidade em 2004, o Plajam oferece apoio e orientação jurídica, por meio de um grupo de dez advogadas que voluntariamente auxiliam as mulheres que sofrem agressões. “A maioria desconhece seus direitos, nós ajudamos essas mulheres a reconhecer o problema e encontrar uma saída jurídica, além de encaminhar para outros serviços. Antes da cidade ter a Delegacia da Mulher, acompanhávamos as vítimas quando era preciso fazer um B.O. para que ela tivesse esse direito garantido. Isso porque, muitas vezes elas iam sozinhas e o crime não era tipificado como violência doméstica”, explica Rosirene.

Segundo a advogada, infelizmente ainda há muitos impeditivos para que a mulher procure ajuda. “O problema socioeconômico é um dos maiores, mas ainda hoje há mulheres submissas, carentes afetivamente e que sentem medo e vergonha de procurar ajuda. Estamos organizadas em diversos setores, de portas abertas, justamente para acolher e encaminhar essas mulheres para que consigam resgatar sua dignidade e receber toda assistência necessária", explica a advogada.

O Plajam funciona na avenida Goiás, 288, e atende de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 17h.

Entre as medidas implementadas pelo município no combate a esse tipo de violência está a criação da Delegacia em Defesa da Mulher (DDM) e do Ambulatório de Saúde Mental para Mulheres em Vulnerabilidade, que oferece assistência especializada em saúde mental direcionada a uma demanda de atendimentos voltados às mulheres em situação de sofrimento psíquico por violência física, sexual e/ou psicológica.